Agora quero falar sobre o lugar para qual todos aqueles sentimentos que nos travam a garganta vão. Os sentimentos que nos entorpecem, emudecem, constrangem, perturbam ou até nos anestesiam. Tenho dito que esses sentimentos não cabem nos quadrados da moral e dos bons costumes, pois nem sabem se nomear de bons ou maus.
São os sentimentos que nos roubam de nós mesmos, nos ludibriam, não nos permitem ser sendo, nos tiram do nosso marcado lugar e nos levam para lugar nenhum. São eles que deslizam sobre e sob nós, rasgando, abrindo e abalando todas as estruturas que se possa enxergar.
Quero falar sobre tudo que não só nos passa, mas nos atravessa, nos comove e nos perfura. Falo sobre tudo que faz da gente peneira, o que nos sacode em busca do que vai sobrar. Sobre aquilo que nos avisa com alarmes e buzinas, por um bom tempo, mas quando resolve mesmo chegar se materializa em tempestade.
Digo mesmo da tranquilidade enganosa, que nos permite sobreviver dia após dia, sem nos deixar tocar. Acho que sempre tive um defeito na placa mãe, pois minha tranquilidade veio com um rombo que me atravessa de um lado para o outro. Sempre que ela parece quase chegar vem uma ventania e tira tudo do lugar, capota minhas certezas e transforma as retas em desenhos calesdoscopicos.
São os momentos de virada, que fazem as trivialidades da vida ficarem ainda mais insignificantes e as conversas despropositadas ficarem ainda mais insuportáveis. Só queria poder saber como passar por apenas mais um dia e depois outro e assim sucessivamente sem esse gosto amargo na boca e esse aperto no coração.
terça-feira, 5 de fevereiro de 2013
terça-feira, 4 de dezembro de 2012
Momento
A sua respiração completa a minha dentro da sua
Suamos até escorrer, esse cheiro de nós dois
Dois que se fazem um, nesse momento...
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
Sem meias palavras
Se for pra
chorar
Que seja
envolvida no seu abraço
Embalada
pelas suas palavras de afeto
Compreendida
pelo seu silêncio empático
Se for pra
dormir pouco
Que seja
porque o amor transborda e preenche a casa inteira
Que seja
porque a conversa não tem fim
Os arrepios
dançam na pele
As mãos
percorrem o corpo inteiro
A barba
roçando no pescoço não permite
Que seja
porque eu e você somos um nós que transcende o individual
Se for pra
acordar
Que seja enroscada
em você
Com direito
a beijo com bafinho matinal
Pernas que
se cruzam no lençol lilás
Mãos que se
enlaçam e se entrelaçam
Suor que é
meu e seu
Olhares que
se perdem e se encontram
E por causa
do êxtase que faz perder o ar e se misturar no todo
terça-feira, 21 de agosto de 2012
Nós
Há de se dizer sobre o aqui e o agora
Sorrir para os silêncios de intimidade sutil
Silenciar para os desejos que nos tiram o ar
Desejar para as ocasiões intensas que cortam a madrugada
Dizer dos entendimentos que se desenrolam sem palavras
Entender os abraços de envolvimento desmedido
Abraçar os momentos de sinceridade no olhar
Compartilhar quando os gritos assolam a alma
Gritar quando os arrepios percorrem o corpo todo
Arrepiar quando a vontade supera o bom senso
Riscamos os lençóis brancos
Trocamos as notas e as melodias
Construímos e destruímos a cada instante
Agora só te peço algo simples
Espalha seu cheiro em mim
Que eu deixo minha essência em você
Sorrir para os silêncios de intimidade sutil
Silenciar para os desejos que nos tiram o ar
Desejar para as ocasiões intensas que cortam a madrugada
Dizer dos entendimentos que se desenrolam sem palavras
Entender os abraços de envolvimento desmedido
Abraçar os momentos de sinceridade no olhar
Compartilhar quando os gritos assolam a alma
Gritar quando os arrepios percorrem o corpo todo
Arrepiar quando a vontade supera o bom senso
Riscamos os lençóis brancos
Trocamos as notas e as melodias
Construímos e destruímos a cada instante
Agora só te peço algo simples
Espalha seu cheiro em mim
Que eu deixo minha essência em você
Fotografia
O desbotado das memórias também tem algo a dizer
É engraçado mudar a ordem dos porta-retratos na estante
É estranho me deparar com todas essas cores e nunces
O anunciado às vezes causa mais surpresa que o imprevisto
Parece que eu tento prever os momentos de amanhã
Só pra poder me enganar
Prevejo para não precisar ver realizado
Espero o inesperado
Adoro ser contrariada enquanto traço invenções
Há dias em que os baques não se emudecem
Há momentos em que as verdades se chocam contra as paredes
Os registros dizem tanto do que já foi quanto do que agora se desvela
A garganta seca percebe e avisa
Ao mesmo tempo há de se entender o presente
Ceder espaço para simplesmente desfrutar
E valorizar as memórias que estão sendo aos poucos tecidas
Dia após dia, um momento de cada vez
É engraçado mudar a ordem dos porta-retratos na estante
É estranho me deparar com todas essas cores e nunces
O anunciado às vezes causa mais surpresa que o imprevisto
Parece que eu tento prever os momentos de amanhã
Só pra poder me enganar
Prevejo para não precisar ver realizado
Espero o inesperado
Adoro ser contrariada enquanto traço invenções
Há dias em que os baques não se emudecem
Há momentos em que as verdades se chocam contra as paredes
Os registros dizem tanto do que já foi quanto do que agora se desvela
A garganta seca percebe e avisa
Ao mesmo tempo há de se entender o presente
Ceder espaço para simplesmente desfrutar
E valorizar as memórias que estão sendo aos poucos tecidas
Dia após dia, um momento de cada vez
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
Excesso
Sou aguda
Sou a raiva que espuma
Sou a alegria que preeenche
Sou a tristeza que transborda
Sou exagero
Sou a tranquilidade que flutua
Sou o contentamento que contagia
Sou a dança que se espalha
Sou intensidade
Sou o tempo que se condensa
Sou o espaço que se estende
Sou a tempestade que avassala
Não consigo ser nada além de abismo
Dor crônica não me impede
E a rotina só vem quando serve de atestado
Prova cabal do que faço de errado
Sou a raiva que espuma
Sou a alegria que preeenche
Sou a tristeza que transborda
Sou exagero
Sou a tranquilidade que flutua
Sou o contentamento que contagia
Sou a dança que se espalha
Sou intensidade
Sou o tempo que se condensa
Sou o espaço que se estende
Sou a tempestade que avassala
Não consigo ser nada além de abismo
Dor crônica não me impede
E a rotina só vem quando serve de atestado
Prova cabal do que faço de errado
sexta-feira, 20 de julho de 2012
Namorandinho
Estou
acostumada com querer quebrar as convenções, ser diferentona, por assim dizer.
Acho que por tempos, meu pensamento era claro: faça o contrário do que as
pessoas costumeiramente fazem. Como eu via tanta gente matando, morrendo,
sofrendo e sendo infeliz, só podia concluir que se elas eram assim, tudo que
faziam na vida, no universo e tudo mais, só podia ser errado, então quem sabe
fazendo o contrário eu seria feliz?
Para
mim, ser esquisita é lugar comum. Falar e não ser entendida é de praxe. Pensar
de forma não ordinária é cotidiano. Eu sei muito bem lidar com isso. Estou
habituada com mal entendidos, batalha, aceitação passiva, ou discussão
acalorada, choque de opiniões. O complicado pra mim é ser abraçada, entendida,
compreendida, satisfeita e acolhida. Sinto vontade de ser um relampejo de
cotidiano, ser padrão (mesmo que distorcido), ser felicidade em encontro e
sorriso em mãos dadas. Você me seduz, sem saber, ou sabendo, até um lugar com
gostinho de nostalgia reinventada. Me convida a ser mulher e a ser quem eu
quiser ser, sem a obrigação de ser diferente de todo mundo E por me convidar a
esse lugar da novidade, eu amaldiçoo e agradeço profundamente você.
quinta-feira, 14 de junho de 2012
Ficção
Pra você: não faz sentido ser reinvenção
A imutabilidade é palavra de ordem
Posso te ver ontem, hoje e amanhã
Traçando exatamente o caminho que lhe foi reservado
Seus desejos e anseios mudam sempre
Passam como folhas outonais nessa espiral de inconstância
Mas no centro algo permanece
No vórtice, a máscara não se move
A indecisão, a mentira e a prepotência permanecem
Pra mim: não faz sentido ser a mesma
Sou possibilidade, invenção
Só posso falar do que já não mais sou
E esboçar o que diz respeito ao essencial
Os desejos são volúveis, descartáveis
Evaporam com o sol que brilha, viram vapor em segundos
E no centro somente o self brilha
Ampliando, criando, vivendo, descendo
Sendo ontem lágrima, hoje silêncio e amanhã sorriso
É chegada a hora da descida
Desço os degraus sem pressa
A cada momento me aproximo mais da fonte
Uma voz me chama, trazida pelo vento...
A imutabilidade é palavra de ordem
Posso te ver ontem, hoje e amanhã
Traçando exatamente o caminho que lhe foi reservado
Seus desejos e anseios mudam sempre
Passam como folhas outonais nessa espiral de inconstância
Mas no centro algo permanece
No vórtice, a máscara não se move
A indecisão, a mentira e a prepotência permanecem
Pra mim: não faz sentido ser a mesma
Sou possibilidade, invenção
Só posso falar do que já não mais sou
E esboçar o que diz respeito ao essencial
Os desejos são volúveis, descartáveis
Evaporam com o sol que brilha, viram vapor em segundos
E no centro somente o self brilha
Ampliando, criando, vivendo, descendo
Sendo ontem lágrima, hoje silêncio e amanhã sorriso
É chegada a hora da descida
Desço os degraus sem pressa
A cada momento me aproximo mais da fonte
Uma voz me chama, trazida pelo vento...
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Do lado de cá
Enquanto minha invenção inventa de ventar
Meu sorriso sorri só rindo
Dizendo pra mim mesma
Que poetisa que se preze
Usa, abusa, abole
Diz, desdiz, desvia
Já nessa comunidade a nossa unidade é comum
Ser indivíduo requer ser singular
Ser indivíduo requer ser parte
Ser cidadão do mundo
A distorção diz da torção do meu coração
Que gira em torno de mim, de você e de si mesmo
Procurando saber se estou me curando
Por onde ando, de onde falo e o que digo
Meu sorriso sorri só rindo
Dizendo pra mim mesma
Que poetisa que se preze
Usa, abusa, abole
Diz, desdiz, desvia
Já nessa comunidade a nossa unidade é comum
Ser indivíduo requer ser singular
Ser indivíduo requer ser parte
Ser cidadão do mundo
A distorção diz da torção do meu coração
Que gira em torno de mim, de você e de si mesmo
Procurando saber se estou me curando
Por onde ando, de onde falo e o que digo
terça-feira, 13 de março de 2012
Que já foi...
A gente só consegue arrancar a faca do coração quando
O abraço parece uma mão estendida.
As palavras lembram um beijo
E enquanto a mão estendida envolve
O beijo já entende
Eu sei que o coração ainda bate
E o buraco vazio continua lá
Ele só vai parar de doer
No exato segundo, marcado em relógio
Em que eu preenchê-lo esclarecidamente com o nada
O abraço parece uma mão estendida.
As palavras lembram um beijo
E enquanto a mão estendida envolve
O beijo já entende
Eu sei que o coração ainda bate
E o buraco vazio continua lá
Ele só vai parar de doer
No exato segundo, marcado em relógio
Em que eu preenchê-lo esclarecidamente com o nada
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