(respondendo à Gabilinda)
Estava ali, um frasco de um conteúdo qualquer em uma estante empoeirada, enfilerada com uma diversidade de outros frascos. Definitivamente só diria que o conteúdo era qualquer, porque me era desconhecido, misterioso, mas falar que era um frasco qualquer era total tolice, dava pra perceber muito bem que esse frasco tinha algo de diferente. Suas cores destoavam do resto, ele reluzia, iluminava a estante inteira. O que seria?
Enquanto os outros frascos permaneciam grande parte do tempo em um silêncio oco, ou se desprendendo em palavras vazias, aquele frasco silenciava imensidão indescritível, gritava poesia. Era simplesmente intenso de se presenciar, por vezes lindo, outrora assustadoramente envolvente.
Desde que me recordo, foi assim. Intensidade, sorriso, lágrima, palavras, poesia, música, cinema. E não seria um simples rótulo de papel, mutável, escrito em letras garrafais e com um conhecimento limitado que mudaria toda aquela imensidão que o frasco me trouxera em pouco menos de um ano de intenção.
Te amo, Gabilinda. E sei que frasco é uma metáfora muito pobre pra falar de você, mas foi a primeira que eu encontrei. Acho que foi pra dizer só que um rótulo não vai conseguir mudar, pelo menos pra mim, quem você é, essa pessoa formidável, não vai conseguir mudar uma vírgula de tudo que vivenciei com você. Eu acho que o rótulo só limita, sabe? E você consegue representar tanta coisa pra mim ao mesmo tempo, coisas que um rótulo não passa nem perto de fazer. Espero continuar sendo um porto seguro pra você, uma amiga psicóloga que larga a psicóloga de lado pra poder dialogar de verdade, sem personas. Bem, espero ter conseguido responder suas indagações...
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Cerrado
Hoje está tudo assim, meio nublado, mas sem possibilidade de chuva, entende? Nem ao menos uma chuva pra me aliviar desse marasmo, nessa quarta com a maior cara de domingo que se possa ter.
O dia lá fora: lindo, quase perfeito. O sol brilhando, algumas nuvens que flutuam num céu mais que azul, só para dar um charme e fazer com que o pôr-do-sol que há de vir fique mais adornado.
Mas aqui dentro fico com essas nuvens cinzentas, pesadas e imóveis. Tudo em mim fica represado hoje. Bate um medo de olhar para o lado e ser definitivamente só eu mesma. As páginas que deslizo suavemente desse livro com cheirinho de novidade reafirmam minha estranheza em ser uma.
Essa raiva e rudeza só vem para esconder a verdade incômoda. Por mais que venham todas as reflexões, as constatações mais brilhantes, hoje sou sim pesadelo e daqueles que nos tiram o ar, do qual não conseguimos acordar sozinhos. Hoje sou relutância, incerteza, nó na garganta e até mesmo um leve desespero. Precisava mesmo acordar e perceber, como em outros dias que a minha verdadeira natureza é felicidade, mas infelizmente, não hoje...
O dia lá fora: lindo, quase perfeito. O sol brilhando, algumas nuvens que flutuam num céu mais que azul, só para dar um charme e fazer com que o pôr-do-sol que há de vir fique mais adornado.
Mas aqui dentro fico com essas nuvens cinzentas, pesadas e imóveis. Tudo em mim fica represado hoje. Bate um medo de olhar para o lado e ser definitivamente só eu mesma. As páginas que deslizo suavemente desse livro com cheirinho de novidade reafirmam minha estranheza em ser uma.
Essa raiva e rudeza só vem para esconder a verdade incômoda. Por mais que venham todas as reflexões, as constatações mais brilhantes, hoje sou sim pesadelo e daqueles que nos tiram o ar, do qual não conseguimos acordar sozinhos. Hoje sou relutância, incerteza, nó na garganta e até mesmo um leve desespero. Precisava mesmo acordar e perceber, como em outros dias que a minha verdadeira natureza é felicidade, mas infelizmente, não hoje...
terça-feira, 21 de dezembro de 2010
Desdizer
Tudo que me fizeste em enlace
Desfizeste nesse instante
Pudera nascer teimosia
Em palavras escassas?
Tudo que mentiste em suavidade
Desmentiste nesse instante
Pudera trazer insensatez
Em letras ilusórias?
Naquele intempérie dissestes raio de sol
E em apenas uma nuvem tempestuosa
Acabaste de desdizer.
Desfizeste nesse instante
Pudera nascer teimosia
Em palavras escassas?
Tudo que mentiste em suavidade
Desmentiste nesse instante
Pudera trazer insensatez
Em letras ilusórias?
Naquele intempérie dissestes raio de sol
E em apenas uma nuvem tempestuosa
Acabaste de desdizer.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
Quarenta e dois
Risadas nada contidas
Sueca de sobriedade altamente questionável
Cuba libre direto do túnel do tempo
Largue desse moralismo sórdido
Porque enquanto os arrepios percorrem todo o meu corpo
Mesmo nesse calor estafante dá pra perceber muito bem
Que a sua vontade na minha faz todo o sentido
Sueca de sobriedade altamente questionável
Cuba libre direto do túnel do tempo
Largue desse moralismo sórdido
Porque enquanto os arrepios percorrem todo o meu corpo
Mesmo nesse calor estafante dá pra perceber muito bem
Que a sua vontade na minha faz todo o sentido
domingo, 21 de novembro de 2010
Fita Métrica
É no mínimo irônico que enquanto ela se descabela com as possibilidades sensatas em horas impróprias você preserva a vaidade intacta, a cabeça erguida e a lucidez intocada. Isso quase irrita, só não chega lá porque as ondas de temperança quebram bem perto da praia. O sorriso se segue, esclarecedor, incrédulo, mas ainda sim intencionado.
Não é que chegando mais perto o sorriso parece fora do lugar, torto, enferrujado? A situação parece envolta por uma grossa camada de lucidez questionável e vaidade solúvel. A cabeça pende nos ombros, balançando para todos os lados, às vezes acertando a indicação de mirar o teto.
Enquanto ela se guia por quase nada, e entende não muito bem o que fazer quando ele entrelaça os dedos suavemente nos dela, você insiste em parecer impassível. Veremos o que acontece quando por trás do cimento trincado surgir sua borboleta.
Não é que chegando mais perto o sorriso parece fora do lugar, torto, enferrujado? A situação parece envolta por uma grossa camada de lucidez questionável e vaidade solúvel. A cabeça pende nos ombros, balançando para todos os lados, às vezes acertando a indicação de mirar o teto.
Enquanto ela se guia por quase nada, e entende não muito bem o que fazer quando ele entrelaça os dedos suavemente nos dela, você insiste em parecer impassível. Veremos o que acontece quando por trás do cimento trincado surgir sua borboleta.
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Desfibrilador - Dez oito
Desfibrilador - Dez oito
Somente porque isso tem que estar aqui, não faria sentido não estar, mas eu sinto que é mais da Gabi do que meu. Quem sabe um dia eu chegue lá...
Somente porque isso tem que estar aqui, não faria sentido não estar, mas eu sinto que é mais da Gabi do que meu. Quem sabe um dia eu chegue lá...
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
Precedendo o dez
O que queima agora é algo além daquela cinza com resto de brasa de outros tempos. O fogo que surge não se explica com atribuições costumeiras: pessoas e ocupações. É um fogo que surpreende, queima por si só, com a possibilidade de que eu possa ser simplesmente quem eu me permitir ser, alguém aí entende?
Sem fim e sem começo, fluxo e intenção. O que aqui e ali se expressa, não passa da mais supostamente inexplicável constatação: sou sendo e muito mais.
Sem fim e sem começo, fluxo e intenção. O que aqui e ali se expressa, não passa da mais supostamente inexplicável constatação: sou sendo e muito mais.
terça-feira, 2 de novembro de 2010
De Pernas para o Ar
Hoje foi o dia em que a menina ficou com os pés logo onde deveria se ver a cabeça. E não saberia explicar nada além disso, todo aquele alvoroço não lhe permitia. Pelo menos não hoje, não hoje.
terça-feira, 19 de outubro de 2010
Semana produtiva
Hm, duas resoluções cumpridas:
- Voltar pra academia, saindo da minha vida sedentária de comilança.
- Começar a terapia, já no oitavo período de Psicologia. (antes tarde do que nunca)
Agora surgem as consequências: meu peito e minhas costas estão doloridas; e além de eu estar alvoroçada por esse primeiro contato com ser paciente/cliente em terapia, acabei indo em duas psicólogas maravilhosas e agora não sei com qual das duas eu prossigo o tratamento. õ.o
Post inútil, só senti vontade de postar. xD
- Voltar pra academia, saindo da minha vida sedentária de comilança.
- Começar a terapia, já no oitavo período de Psicologia. (antes tarde do que nunca)
Agora surgem as consequências: meu peito e minhas costas estão doloridas; e além de eu estar alvoroçada por esse primeiro contato com ser paciente/cliente em terapia, acabei indo em duas psicólogas maravilhosas e agora não sei com qual das duas eu prossigo o tratamento. õ.o
Post inútil, só senti vontade de postar. xD
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
Brincando com fogo
Tem dias em que eu realmente penso: deve ser tolice da minha parte ser tão transparente. Os dias de sorrisos se inverteram e a rotina nunca antes havia sido harmoniosa assim. Enquanto eu ando de peito aberto, as lágrimas ainda deslizam de vez em outra, devo assumir, logo quando a verdade me atinge mais uma vez. Mas eu sei que ainda prefiro andar por aí com o peito aberto do que com os braços cruzados e ferrugem no sorriso. Querendo ou não, eu me permito lamentar, enlutar e acho que justamente por isso sei fraquejar sem deixar de ser forte, sabe?
Ainda queima. Algo me engasga, porque agora não consigo mais gostar da forma como mentem para mim. E quando mesmo assim ainda me ludibriam e me fazem entender a diferença não vetada pelas entrelinhas, eu só posso me sentar na calçada, com os pés firmemente pressionados contra o asfalto e me desprender entre soluços. Depois que o momento de desrazão passa, me resta compreender o tangível e tentar mais uma vez ser egoísta de verdade, mesmo com esse meio egoísmo altruistamente estúpido relutando dentro de mim.
Com tudo isso em mente, os passos vão se arranjando. Acho que nunca fui muito de planos mesmo e me confunde essa intenção calculada. As mãos provisoriamente dadas podem não querer dizer muito e certamente entregam que a provisoriedade não é para mim, mas por enquanto é o que anseio e talvez até o que eu precise.
Ainda queima. Algo me engasga, porque agora não consigo mais gostar da forma como mentem para mim. E quando mesmo assim ainda me ludibriam e me fazem entender a diferença não vetada pelas entrelinhas, eu só posso me sentar na calçada, com os pés firmemente pressionados contra o asfalto e me desprender entre soluços. Depois que o momento de desrazão passa, me resta compreender o tangível e tentar mais uma vez ser egoísta de verdade, mesmo com esse meio egoísmo altruistamente estúpido relutando dentro de mim.
Com tudo isso em mente, os passos vão se arranjando. Acho que nunca fui muito de planos mesmo e me confunde essa intenção calculada. As mãos provisoriamente dadas podem não querer dizer muito e certamente entregam que a provisoriedade não é para mim, mas por enquanto é o que anseio e talvez até o que eu precise.
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