A gente só consegue arrancar a faca do coração quando
O abraço parece uma mão estendida.
As palavras lembram um beijo
E enquanto a mão estendida envolve
O beijo já entende
Eu sei que o coração ainda bate
E o buraco vazio continua lá
Ele só vai parar de doer
No exato segundo, marcado em relógio
Em que eu preenchê-lo esclarecidamente com o nada
terça-feira, 13 de março de 2012
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Poesia da pequenez
A caneta só está lá
Repousando
Flutuando
O papel só fica ali
Contemplando a madeira desgastada
Dizendo sobre as aspirações de tinta
É mais do que simplesmente papel
É um rascunho de intenções
Uma lista de vontades
Uma compilação de reverberações
Um apanhado de imensidão
Só que mesmo assim não passa de papel
Dependente de minha disposição
Desejante de minha intensidade
Cego à sua pequenez
Surdo à sua potência
Mudo à sua desilusão
Faço de papel horizonte
Faço de caneta permissão
Enquanto a poesia faz de mim
O que ela bem quiser
(Transcrito depois de 14 min de "Só dez por cento é mentira". Obrigada por existir, Manoel de Barros)
Repousando
Flutuando
O papel só fica ali
Contemplando a madeira desgastada
Dizendo sobre as aspirações de tinta
É mais do que simplesmente papel
É um rascunho de intenções
Uma lista de vontades
Uma compilação de reverberações
Um apanhado de imensidão
Só que mesmo assim não passa de papel
Dependente de minha disposição
Desejante de minha intensidade
Cego à sua pequenez
Surdo à sua potência
Mudo à sua desilusão
Faço de papel horizonte
Faço de caneta permissão
Enquanto a poesia faz de mim
O que ela bem quiser
(Transcrito depois de 14 min de "Só dez por cento é mentira". Obrigada por existir, Manoel de Barros)
quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012
Faz de conta
(essa é minha tentativa, um tanto falha, de me concentrar mais, me dispersar menos e criar algo um pouco mais ritmado, achei clichê, meio não-Carol, muito extenso e basicamente ruim, mas...)
Você está aí, na porta de malas prontas
Os pés tocam a calçada
E você se vai
Eu bem que reparei que o dia está nublado
Tudo está exatamente como você deixou
Seu travesseiro ainda está na cama
Mas eu ainda nem dormi
Você está lá, na estação de trem
As mãos tremem
As pernas vacilam
Eu bem que percebi que algo não se encaixava
Tudo está exatamente como você deixou
Aqueles seus sapatos estão no armário
Mas eu ainda nem troquei minhas roupas
Você está ali, no restaurante sozinho
A garganta aperta
O coração vacila
Eu bem que entendi que você mentia
Tudo não estava como antes
Aqueles recadinhos ainda estão na geladeira
Mas eu ainda nem consegui comer
Você está por aí, tentando seguir em frente
O sorriso está enferrujado
A voz está hesitante
Eu bem que tento te convencer
Tudo que eu falo
Eu diria mesmo pra você
Como se a gente ainda estivesse no mesmo lugar
Eu ainda quero que a verdade seja que você mente
Eu ainda quero que você me deixe preocupada
Eu ainda quero que a gente se engane dizendo que é pra sempre
Eu ainda quero que a certeza seja que não acabou
Mesmo que nada faça mais sentido
Mesmo que você nem se pegue mais pensando em mim
Eu vou deixar a porta aberta
Eu vou deixar a chave debaixo do tapete
Eu vou deixar a luz da sala ligada
Só pra ver se você volta
Eu vou deixar seu travesseiro na cama
Eu vou deixar seu sapato no armário
Eu vou deixar os recados na geladeira
Só pra ver se você volta
Todos dizem que eu estou me iludindo
E que você não vai voltar
Mas quem sabe de nós, não é?
Quando você voltar a gente pode fingir
Agir como se você nunca tivesse ido
Seu perfume ainda inunda a casa
Até parece que você ainda está aqui
Todos tentam me convencer da “verdade”
E falam que estou melhor sem você
Mas quem sabe de mim, não é?
Quando você voltar a gente pode mentir
Pensar que você saiu pra trabalhar
Sua câmera ficou em cima da mesa
Até parece que você ainda vem buscá-la
Todos falam de nós dois
Como se soubessem de tudo
Mas quem sabe a verdade, não é?
Quando você voltar a gente pode sair
Ver um filme, rir, andar de mãos dadas
Sua guitarra está encostada no canto
Até parece que você ainda vai cantar pra mim
Todos pensam que me entendem agora
E tentam me consolar com palavras sem sentido
Mas quem sabe o que dizer, não é?
Quando você voltar a gente pode se amar
Se envolver, se enlaçar, noite afora
Nos conectar como fazíamos antes, sabe?
Naqueles momentos em que tudo fazia sentido
Eu ainda quero que a verdade seja que você mente
Eu ainda quero que você me deixe preocupada
Eu ainda quero que a gente se engane dizendo que é pra sempre
Eu ainda quero que a certeza seja que não acabou
Mesmo que nada faça mais sentido
Mesmo que você nem se pegue mais pensando em mim
Eu vou deixar a porta aberta
Eu vou deixar a chave debaixo do tapete
Eu vou deixar a luz da sala ligada
Só pra ver se você volta
Eu vou deixar seu perfume no ar
Eu vou deixar sua câmera em cima da mesa
Eu vou deixar sua guitarra no canto
Só pra ver se você volta
Quem sabe você volta...
Você está aí, na porta de malas prontas
Os pés tocam a calçada
E você se vai
Eu bem que reparei que o dia está nublado
Tudo está exatamente como você deixou
Seu travesseiro ainda está na cama
Mas eu ainda nem dormi
Você está lá, na estação de trem
As mãos tremem
As pernas vacilam
Eu bem que percebi que algo não se encaixava
Tudo está exatamente como você deixou
Aqueles seus sapatos estão no armário
Mas eu ainda nem troquei minhas roupas
Você está ali, no restaurante sozinho
A garganta aperta
O coração vacila
Eu bem que entendi que você mentia
Tudo não estava como antes
Aqueles recadinhos ainda estão na geladeira
Mas eu ainda nem consegui comer
Você está por aí, tentando seguir em frente
O sorriso está enferrujado
A voz está hesitante
Eu bem que tento te convencer
Tudo que eu falo
Eu diria mesmo pra você
Como se a gente ainda estivesse no mesmo lugar
Eu ainda quero que a verdade seja que você mente
Eu ainda quero que você me deixe preocupada
Eu ainda quero que a gente se engane dizendo que é pra sempre
Eu ainda quero que a certeza seja que não acabou
Mesmo que nada faça mais sentido
Mesmo que você nem se pegue mais pensando em mim
Eu vou deixar a porta aberta
Eu vou deixar a chave debaixo do tapete
Eu vou deixar a luz da sala ligada
Só pra ver se você volta
Eu vou deixar seu travesseiro na cama
Eu vou deixar seu sapato no armário
Eu vou deixar os recados na geladeira
Só pra ver se você volta
Todos dizem que eu estou me iludindo
E que você não vai voltar
Mas quem sabe de nós, não é?
Quando você voltar a gente pode fingir
Agir como se você nunca tivesse ido
Seu perfume ainda inunda a casa
Até parece que você ainda está aqui
Todos tentam me convencer da “verdade”
E falam que estou melhor sem você
Mas quem sabe de mim, não é?
Quando você voltar a gente pode mentir
Pensar que você saiu pra trabalhar
Sua câmera ficou em cima da mesa
Até parece que você ainda vem buscá-la
Todos falam de nós dois
Como se soubessem de tudo
Mas quem sabe a verdade, não é?
Quando você voltar a gente pode sair
Ver um filme, rir, andar de mãos dadas
Sua guitarra está encostada no canto
Até parece que você ainda vai cantar pra mim
Todos pensam que me entendem agora
E tentam me consolar com palavras sem sentido
Mas quem sabe o que dizer, não é?
Quando você voltar a gente pode se amar
Se envolver, se enlaçar, noite afora
Nos conectar como fazíamos antes, sabe?
Naqueles momentos em que tudo fazia sentido
Eu ainda quero que a verdade seja que você mente
Eu ainda quero que você me deixe preocupada
Eu ainda quero que a gente se engane dizendo que é pra sempre
Eu ainda quero que a certeza seja que não acabou
Mesmo que nada faça mais sentido
Mesmo que você nem se pegue mais pensando em mim
Eu vou deixar a porta aberta
Eu vou deixar a chave debaixo do tapete
Eu vou deixar a luz da sala ligada
Só pra ver se você volta
Eu vou deixar seu perfume no ar
Eu vou deixar sua câmera em cima da mesa
Eu vou deixar sua guitarra no canto
Só pra ver se você volta
Quem sabe você volta...
sábado, 11 de fevereiro de 2012
Descarte
Seu violão distorcido não diz de nós
O tempo que condiz, não contribui
É estranho dividir uma realidade com você
Se nem somos do mesmo universo
A música no improviso ressoa, entende
Eu fico sem saber o que dizer
Permitindo-me me inspirar
Por uma verdade que nem ao menos é minha
Cada um em seu ofício
E o meu ofício que é nenhum?
Cada um com suas respostas
E a minha resposta que é pergunta?
A gente tenta soar no mesmo ritmo
O descompasso atrapalha, atrasa
Eu não trato de corrigir as rasuras
Tudo segue como se nada tivesse acontecido
Eu não olho, não percebo, não completo
Fico sentada no canto, dizendo
Mas ninguém compreende mesmo
Quando as palavras já são mudas
Quase ninguém percebe percebe que é assim que me comunico
Nos silêncios permissivos da melodia alheia
Quase ninguém nota que é assim que mais falo de mim
Nas notas perdidas do equívoco anunciado
Não entendem, podem até tentar perceber
Minhas frases incompletas gritam
Enquanto todo mundo sai do eixo
Quando todos mergulham em algo que não diz de mim
Fica frio aqui fora, quieto
É penoso saber que no lamentar é que mais sou poesia
Os universos se estendem, não se entendem e colidem
As verdades se separam, se distanciam
E não importa mesmo
Se eu pudesse ser quem eu quisesse ser
Seria conforto e distância
Se pudesse estar onde quisesse estar
Estaria tranquilidade e acomodação
Porque o que mais dói agora é não ser/estar nada disso
Nem ao menos pra poder passar despercebida
O tempo que condiz, não contribui
É estranho dividir uma realidade com você
Se nem somos do mesmo universo
A música no improviso ressoa, entende
Eu fico sem saber o que dizer
Permitindo-me me inspirar
Por uma verdade que nem ao menos é minha
Cada um em seu ofício
E o meu ofício que é nenhum?
Cada um com suas respostas
E a minha resposta que é pergunta?
A gente tenta soar no mesmo ritmo
O descompasso atrapalha, atrasa
Eu não trato de corrigir as rasuras
Tudo segue como se nada tivesse acontecido
Eu não olho, não percebo, não completo
Fico sentada no canto, dizendo
Mas ninguém compreende mesmo
Quando as palavras já são mudas
Quase ninguém percebe percebe que é assim que me comunico
Nos silêncios permissivos da melodia alheia
Quase ninguém nota que é assim que mais falo de mim
Nas notas perdidas do equívoco anunciado
Não entendem, podem até tentar perceber
Minhas frases incompletas gritam
Enquanto todo mundo sai do eixo
Quando todos mergulham em algo que não diz de mim
Fica frio aqui fora, quieto
É penoso saber que no lamentar é que mais sou poesia
Os universos se estendem, não se entendem e colidem
As verdades se separam, se distanciam
E não importa mesmo
Se eu pudesse ser quem eu quisesse ser
Seria conforto e distância
Se pudesse estar onde quisesse estar
Estaria tranquilidade e acomodação
Porque o que mais dói agora é não ser/estar nada disso
Nem ao menos pra poder passar despercebida
sábado, 4 de fevereiro de 2012
Ininterrupto
Enquanto eu ando pelas ruas e só ando
As pessoas passam por mim, andando em círculos
Rostos embaçados, sorrisos enferrujados
E a dor que cada um esconde?
Pareço ser fria, deprimida
Enquanto todos penduram um cabide no rosto
Eu acho engraçado, acho melancólico
Todo mundo andando em direção a lugar nenhum
Em todos os cantos rostos conhecidos
Lugares desgastados
Risadas encobrindo tudo
A angústia se soma, acrescenta
Eu abaixo a cabeça, finjo nem notar
Só vou chorar quando a chuva começar
Acho estranho te contar, acho complicado admitir
Espero que vejam através de mim, além de mim
Pareço estar anestesiada, entorpecida
Enquanto todos falam sem ter o que dizer
Eu acho irônico, acho rotineiro
Todo mundo andando sem poder enlouquecer
Ninguém me conhece, ninguém sabe quem eu sou
Os momentos em que eu me perco
São os melhores que eu já tive
Sou translúcida, me atravesse
As pessoas passam por mim, andando em círculos
Rostos embaçados, sorrisos enferrujados
E a dor que cada um esconde?
Pareço ser fria, deprimida
Enquanto todos penduram um cabide no rosto
Eu acho engraçado, acho melancólico
Todo mundo andando em direção a lugar nenhum
Em todos os cantos rostos conhecidos
Lugares desgastados
Risadas encobrindo tudo
A angústia se soma, acrescenta
Eu abaixo a cabeça, finjo nem notar
Só vou chorar quando a chuva começar
Acho estranho te contar, acho complicado admitir
Espero que vejam através de mim, além de mim
Pareço estar anestesiada, entorpecida
Enquanto todos falam sem ter o que dizer
Eu acho irônico, acho rotineiro
Todo mundo andando sem poder enlouquecer
Ninguém me conhece, ninguém sabe quem eu sou
Os momentos em que eu me perco
São os melhores que eu já tive
Sou translúcida, me atravesse
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Entrelaço
Rostos descolados, caídos no vão da escada
Sorrisos desbotados, jogados no canto da sala
Pedaços do mundo inteiro diluídos em metros quadrados
Passado presente, futuro esboçado
Vivência sentida, experienciada
A expiração delonga e abrevia, delonga e abrevia
A inspiração aprofunda e emerge, aprofunda e emerge
Enquanto os fios dourados atrapalham ajudando
E a barba cerrada risca e arrepia toda a meia palidez
Transborda, completa, contempla da melhor maneira que se possa ser
As mãos deslizam, buscam, encontram
Os pés se esticam, aproximam, alcançam
A madrugada atravessa tudo em espirais
A gente só canta os trechos de música que mais convêm
A gente só diz a verdade sem se permitir dizer
Vontade, intenção, satisfação
A minha vontade na sua faz todo sentido
A sua intenção em mim se faz entender
A satisfação suave nos permite não dizer
Silenciar e enrolar
Devo dizer que enquanto eu não sei dizer o que é real
Se fui mesma eu que te inventei,
Vou é continuar inventando
Sorrisos desbotados, jogados no canto da sala
Pedaços do mundo inteiro diluídos em metros quadrados
Passado presente, futuro esboçado
Vivência sentida, experienciada
A expiração delonga e abrevia, delonga e abrevia
A inspiração aprofunda e emerge, aprofunda e emerge
Enquanto os fios dourados atrapalham ajudando
E a barba cerrada risca e arrepia toda a meia palidez
Transborda, completa, contempla da melhor maneira que se possa ser
As mãos deslizam, buscam, encontram
Os pés se esticam, aproximam, alcançam
A madrugada atravessa tudo em espirais
A gente só canta os trechos de música que mais convêm
A gente só diz a verdade sem se permitir dizer
Vontade, intenção, satisfação
A minha vontade na sua faz todo sentido
A sua intenção em mim se faz entender
A satisfação suave nos permite não dizer
Silenciar e enrolar
Devo dizer que enquanto eu não sei dizer o que é real
Se fui mesma eu que te inventei,
Vou é continuar inventando
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
Fumaça

É isso mesmo!
Quero o silêncio perturbador, caótico, que engrandece, que constrói, que destrói, que destoa, que canta, que assovia, que gira, que sibila. Quero renovar-me, ampliar-me, desconstruir-me em mim. Quero os gritos, a briga, o caos, a luta, a negociação, a negação, a batalha, a barganha. Não posso mais só brincar, necessito intuir mais inverdade, discussão, crescimento, chuva, término, responsabilidade, princípio, ciclo, meio, fim e começo.
Não, eu não quero estabilidade, nem tão pouco certeza, faça-me o favor. Não me concilio com garantias, estendidas ou não, precedidas, entendidas, ao sol pra secar. Não sei lidar com prazos, divisões, aluguéis, contas, hipotecas. Não sei me envolver com ressalvas, limites, cálculos, derivadas, equações, intenções, demonstrações.
Não almejo tranquilidade constante, mas sim de instante, eternidade, passividade, intencionalidade, conforto, acomodação, repressão, prisão. Ser amordaçada não me condiz, não diz, me fiz entender? Sigo sem entender planejamentos, restrições, regras, leis, barreiras e obrigações.
Se o caos é divino, e divinamente eu me defino em caos, não irei mais me traduzir simultaneamente. Não, não vou falar menos poeticamente, de modo a me fazer entender, não vou repensar com intenção de formular idéias mais lógicas, não vou intelectualizar meus pensamentos para ser mais lúcida e muito menos vou me embrenhar e me desgastar nesse exaustivo exercício de fazer sentido.
Sou sendo. E sendo sou bagunça, caos, furacão e tempestade. Não mais espero de mim imutabilidade, essência facilmente apreensível, dizível e constância, não vou nos iludir assim. Se for mesmo pra ser sendo, vamos assim em risadas, lágrimas, intensidade, clímax, depressão, aperto, desejo, intenções e tudo mais a que nos intencionamos. Quando percebo que eu sou eu, eu sou você e talvez o mais importante de tudo seja que, no fim das contas, você sou eu; mudamos o rumo da conversa, nos afastamos do abismo mergulhando nele. E a matéria quando se encontra, se choca, se ama, se enrosca, produz algo que transcende.
Chega mais perto enquanto eu olho pra dentro e silencio o exterior. Enquanto a música embala uma só constatação, sou una com o mundo, me torno una com o alvo e é me misturando que me encontro. Enquanto a gente dança, samba e flutua, a música conta o que a gente já sabia e quem sabe o que a gente ainda haverá de saber.
"We are the middle children of history, man. No purpose, or place. We had no Great War, no Great Depression. Our Great War is a spiritual war, our Great Depression is our lives"
(obs.: texto escrito depois de uma meia hora do filme "Fight Club", como proceder agora, depois do fim do filme, com essa explosão mental?)
terça-feira, 25 de outubro de 2011
Transitivo
Se ser metade muitas vezes requer se encher de completude, e ser completude requer reconhecer-se como faltante, o que resta a quem se entende em vazio mais do que em completude ou faltante?
Se ser egocêntrico implica entender que o mundo gira em torno de "si", e ser altruísta implica entender que "si" gira em torno do mundo, o que pode se dizer de quem muitas vezes não consegue distinguir o "si" e o mundo, que se mistura com o mundo e tem dificuldade em se separar dele?
Se ser criança se desdobra em espontaneidade e imaturidade e ser adulto se desdobra em ser decidido e tomar iniciativa, o que concluir sobre quem é maturidade por vezes e espontaneidade em grande parte do tempo?
Se ser si mesmo exige que se mostre tal como é, sem máscaras, e ser outrem/ninguém exige esconder-se e só mostrar o refletido, o que pronunciar sobre quem só consegue se desvencilhar do esconder quando é aceito, amado e confortado?
Se refletir e ser poesia é em mim constância o que fazer quando me é cobrada objetividade e certeza?
Se ser egocêntrico implica entender que o mundo gira em torno de "si", e ser altruísta implica entender que "si" gira em torno do mundo, o que pode se dizer de quem muitas vezes não consegue distinguir o "si" e o mundo, que se mistura com o mundo e tem dificuldade em se separar dele?
Se ser criança se desdobra em espontaneidade e imaturidade e ser adulto se desdobra em ser decidido e tomar iniciativa, o que concluir sobre quem é maturidade por vezes e espontaneidade em grande parte do tempo?
Se ser si mesmo exige que se mostre tal como é, sem máscaras, e ser outrem/ninguém exige esconder-se e só mostrar o refletido, o que pronunciar sobre quem só consegue se desvencilhar do esconder quando é aceito, amado e confortado?
Se refletir e ser poesia é em mim constância o que fazer quando me é cobrada objetividade e certeza?
sábado, 1 de outubro de 2011
Respirar
A verdade, pelo menos a minha versão da verdade, é que ser mulher decidida requer indecisão. As certezas são tão volúveis, solúveis, inflamáveis. Ser menina até quando der é decisão de tanta gente, e escolher preservar o jeitinho de menininha, com a decisão ou indecisão de mulher requer tanta reflexão. É difícil não ser eu mesma enquanto me embrenho nessa tentativa, mas pras outras pessoas parece tão fácil.
É custoso pra mim, e o custo é extremamente alto, ser alguém que não eu mesma. É complicado fingir não se importar, inventar ambições, confabular intenções, esnobar sentimentos e entender o inapreensível. É complicado pra mim tecer vulgaridades, despejar contradições, versar futilidades. Em suma, é complexo pra mim a expedição de sobreviver.
Eu sei muito bem, ou o melhor que posso, que as minhas escolhas dizem de quem sou, fui e almejo ser. O complicado é só perceber no que eu me foco, qual é meu lugar espaço-tempo enquanto esse ser de escolhas. E posso dizer que o que fui me intriga, que sou alguém que se interessa pelos consertos, pelas novas possibilidades do que já foi. Mas o sentir atesta que não posso deixar de lado quem sou, não posso deixar de lado quem almejo ser. E aí surge a maior questão de todas: o que fazer?
É nesses momentos em que o nó no estômago, o aperto na garganta e o palpitar no peito não somente não se deixam ser ignorados, como dizem mais do que as mil palavras, frases, pensamentos e intenções circulando freneticamente na minha cabeça.
É custoso pra mim, e o custo é extremamente alto, ser alguém que não eu mesma. É complicado fingir não se importar, inventar ambições, confabular intenções, esnobar sentimentos e entender o inapreensível. É complicado pra mim tecer vulgaridades, despejar contradições, versar futilidades. Em suma, é complexo pra mim a expedição de sobreviver.
Eu sei muito bem, ou o melhor que posso, que as minhas escolhas dizem de quem sou, fui e almejo ser. O complicado é só perceber no que eu me foco, qual é meu lugar espaço-tempo enquanto esse ser de escolhas. E posso dizer que o que fui me intriga, que sou alguém que se interessa pelos consertos, pelas novas possibilidades do que já foi. Mas o sentir atesta que não posso deixar de lado quem sou, não posso deixar de lado quem almejo ser. E aí surge a maior questão de todas: o que fazer?
É nesses momentos em que o nó no estômago, o aperto na garganta e o palpitar no peito não somente não se deixam ser ignorados, como dizem mais do que as mil palavras, frases, pensamentos e intenções circulando freneticamente na minha cabeça.
segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Equilíbrio
Se os anos não podem dizer como pensar, o que poderia? Tento entender a complexidade que se desdobra, e o que me resta é entender o simples, o tangível. Ironia é constatar que o mais óbvio é o que tende a passar despercebido, já que o compreensível não me intriga e não me afeta.
Enquanto a cabeça calcula, organiza, tentando resolver tudo que surge, compreender o que é dito e se manter em segurança, o peito aperta, explode, tentando encaixar o que sabe que preenche, lidar com o não-dito e se arriscar no improvável. O intelecto vira as páginas, processa as frases e verifica as palavras, mas o sentimento desliza nas páginas, dá sentido as frases e ressignifica as palavras.
As questões da razão falam alto, gritam, por vezes até pertubam, mas mesmo assim as questões do sentir também se fazem ouvir. Acho que devo ser mesmo esquisita, já que quanto mais sou ciência, tanto mais sou coração.
Enquanto a cabeça calcula, organiza, tentando resolver tudo que surge, compreender o que é dito e se manter em segurança, o peito aperta, explode, tentando encaixar o que sabe que preenche, lidar com o não-dito e se arriscar no improvável. O intelecto vira as páginas, processa as frases e verifica as palavras, mas o sentimento desliza nas páginas, dá sentido as frases e ressignifica as palavras.
As questões da razão falam alto, gritam, por vezes até pertubam, mas mesmo assim as questões do sentir também se fazem ouvir. Acho que devo ser mesmo esquisita, já que quanto mais sou ciência, tanto mais sou coração.
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