terça-feira, 8 de junho de 2010

Hoje vai ser UMA? feeesta

O que fazer quando dois dos homens mais importantes da sua vida fazem aniversário no mesmo dia? Escrever dois testimonials descabeçados pela manhã, logo depois de acordar, quando o mundo ainda não se encaixa nos ideais esperados de racionalidade e a realidade ainda se mistura difusamente com os sonhos e pesadelos da noite anterior, lógico!
Namorado

Sabe o que acontece? Ele faz TUDO errado!
Parte I: Olha pra mim, me acha sedução e zoa da minha cara até eu achar que ele não vai lá muito com a minha pessoa.
Parte II: Gamei, gamou, brinca com a minha mão e reclama sobre o cover dos The Beatles no meio do Londres.
Parte III: Me deixa sem rumo, fico sem graça brincando com a florzinha fúscia do meu cabelo, perco a flor, além do rumo.
Parte IV: Estamos obviamente juntos, ele viaja no dia seguinte e fica um mês longe do meu mundo, trabalhando, praiando, comendo carne moída e esporadicamente enfrentando enchentes destruidoras de malas.
Parte V: Vai pro sítio, de madruga - Zoombie Walk in Silent Hill, tosse até virar do avesso, logo depois compra barraca e saco de dormir para voltar.
PARTE VI: Viaja pro escafundó, de onde surge a nova dança do estado do Pará e fica lá até mesmo no DIA DO ANIVERSÁRIO DE 21 ANOS DELE! Pééém!

Ah, parabéns, meu bem. Que você continue sendo essa pessoa simplesmente extraordinária.
Te amo.

;*
Irmão
Ele definitivamente não é uma pessoa normal.

Nas festas fica sentado, enquanto as outras pessoas batem cabelo e agem como se ninguém as visse fazendo o que elas queriam fazer se ninguém pudesse vê-las. Já dentro do carro, enquanto eu fico de estômago ruim e de cara feia pro Elton John com seus ternos de lantejoulas e purpurinas no som, ele dança com o Romance Ruim da Lei de Gagá, ou com a música do Antes de Cristo/Depois de Cristo que vieram da Corrente Alternada/Corrente Contínua de uma máquina de costura sobre a Autoestrada que conduz direto pro Inferno rindo da cara dos Zepellins com Leds azuis, que na verdade queriam ser de Chumbo e sua música sobre Escadarias pro Céu.

Pronto, taí o depoimento de alguém que faz conexões nada usuais, além duma breve história da música dos bons tempos: Roquenrou, baby. ;D E uma mençãozinha a popstar da vez, batida, mas "é o que tem".

Parabéns, maninho. Agora você é gente graaaaande 18 aninhos. ^^
E tenho dito: normal ou não, acabo me vendo obrigada a gostar de você.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Enfim, sem fim... [A Curiosa]

Ninguém saberia dizer quando começaria, mas aquela brisa inconfundível de verão em pleno inverno atestava uma coisa: todas as cores do mundo não tardariam a vir. O momento era único e perfeito, mais perfeito do que único. Ela fechava os olhos e de repente sentia uma onda de calafrios que percorriam seu corpo inteiro em sentidos aleatórios. Ela podia sentir claramente pelo menos três deles se não desviasse o pensamento. O primeiro começava nas pontas dos dedos dos seus pés e subia até seu último fio de cabelo. O segundo se movia em círculos nada uniformes por seus braços. Outro deles escorria por seu pescoço, mudando de direção e seguindo por suas costas. O momento fora aquele e alguns segundos depois acabara.
A menina ficava só sentada na calçada, com as duas palmas do pé apoiadas no asfalto e o peito comprimido contra os joelhos parcialmente cobertos pela renda branca do vestido. Ela não conseguiria verbalizar tão enorme descontentamento que a invadia no dado instante. Era sempre assim! Em um momento ela sentia como se soubesse a resposta para todas as suas indagações e já no momento que se seguia ela se sentia completamente inócua e ignorante.
Uma blusa muito fina estava jogada nos seus ombros, os quais de outra forma ficariam nus. A fita de cetim que lhe enfeitava os cabelos ia caindo lentamente, ao passo que ela desabotoava seus lábios e sussurrava de leve, como fazia quando era ainda criança, só para vislumbrar o rastro de fumaça que se desprenderia no frio cortante.
Ela sabia, intuitivamente que eu a observava por entre a neblina opaca. E duvido que pudesse não saber como eu a admirava com todas as minhas forças. Eu, sempre tão distante e curiosa, sempre tão ausente enquanto presente. Admirava a forma como ela levava sua vida e parecia distraidamente não se dar conta de que cada atitude memorável e firme que ela tomava não era por mero acaso, tudo aquilo era totalmente premeditado por sua inocente sabedoria.
Depois de muito tentar ser bem resolvida, decidi de vez: o melhor é abraçar essa minha angústia que muito duvida, quase sempre não sabe e de vez em outra produz.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Equação

É sempre assim, durante a semana eu corro daqui e dali, me desdobro na tentativa de fazer da menina uma psicóloga. Os dias de feira se arrastam pelo calendário encardido, são os dias de palavras flutuantes, resignificações, confronto com as verdades infames desse mundo de entendimento duvidoso. Sufoco, desespero, correria, exasperação, chateação, conflito, decepção, inverdade, vieses, incompletude e desesperança. Palavras, frases, sentidos, críticas, construção, juízo, acordo, compreensão, desdobramentos, linguagem, comunicação, interesse, atenção e desesperança transitória. Renovação, evolução, revolução e probabilidade, talvez completude. Mudando algum mundo.
Os dias de feira se encerram, aí surge uma outra possibilidade. São dois dias e meio que passam em dois segundos e meio, independentemente do quão suavemente as mãos se enlacem. Importância, intenção, mãos, beijos, pele, desejo, calafrios, afeto, vontade, anseio, estímulo, essência, olhos fechados, elogio, admiração, palavras, enfim: amor.
Meus pensamentos saem da burocracia tão adorada e odiada e se focam em desrazão, nessa irracionalidade imprevisível. Meu fim de semana é você. A noite de domingo chega e parece irreal entender que a saudade já pesa antes mesmo de você ir embora. As obrigações aparecem, a realidade me atinge e chegam os dias de páginas e racionalidade.
E é assim, pouco me importa que os dias de descanso acabem e os esforços me inundem em outra segunda-feira cada vez mais caótica. Meu fim de semana só poderia ser você.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Metonímia

Queria saber dizer o que acontece quando todas as verdades parecem ganhar lugar devidamente apropriado. Não sirvo para ser bem resolvida, pois as turbulências que se seguem atestam a verdade fugidia. Assim tento constituir no indescritível um sentido, síntese das idéias difusas que rebatem aqui dentro.
É uma vontade de que a intencionalidade se concretize, no entanto, pressinto uma total falta de disposição e simplesmente me entrego. A desistência me angustia, me corrói, me inunda. Enquanto o aperto na garganta insiste, o mais puro dissabor me invade. É assim, antítese do que me faz respirar cada vez mais fundo.
Os dentes se cerram intensamente e os olhos vão perdendo força, aos poucos vão pesando. Enquanto o peito exposto se descortina cada vez mais, surge aquele receio inevitável de não saber onde começa e onde termina cada sorriso. Cada sorvo inebriante retumba uma consternação que pouco se explica e muito se experiencia.
Não consigo manejar as palavras que despendem pretensões previamente estimadas. Sobram-me fonemas perdidos na satisfação de entender essas frases faltantes em letras e que transbordam sentido intrínseco. O sorriso que transparece indica algo que transcende o imediato, o claramente observável.
Vou sonhando até surgir em preto e branco a inverdade temida. Os momentos de tensão dão lugar a dias cada vez mais coloridos e incalculados. É o suspiro que encerra a realidade prenunciada: o medo de ser felicidade.

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Soleira

A cabeça latejando, pesa
O peito que se aperta, sufoca
A garganta travada, em nó
Os olhos ardem, se fecham

Era assim
Não saberia explicar a urgência por inexistência
Queria poder encolher até sumir de vez, sem escapatória

Os dias se perdem na semana
As semanas dançam pelo mês
Os meses escorregam pelo calendário encardido
O tempo se reveste em fluidez inapreensível

Era assim
Falta de sentido, consternação.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Corrente

Começo é o prelúdio de alguma vontade
Vontade é a intenção que se faz em verdade
Verdade são as mãos que se entrelaçam
Entrelace são os corpos que se intercalam sobre o lençol riscado
Risco é o perigo manifesto de te querer bem
Bem é parte de mim que se faz tua sem saber
Saber é o entender que se fez espontâneo
Espontâneo é esse sorriso que surge mesmo sem cosquinhas
Cosquinhas são a síntese de uma afetividade inevitável
Inevitável é outra forma de mencionar a intencionalidade fugidia
Fugidio é nosso tempo que logo se distorce em meses
Meses esses que somam dois
Dois mencionados, ao teu lado
Lado dito, que me faz, a cada dia, feliz sem entender

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Blasé

A angústia que se prediz nesses olhos vazios
Faz parte dessa tristeza que não se explica
Palavras ocas: é marasmo
O nó na garganta palpita

As têmporas latejam incomodamente
O zunido ensurdece
A ignorância rebate
A fuga não mais me ludibria

De que me adianta escapar do mundo
Se um dia hei de voltar?
Não me serve mais falar do descontentamento nas lágrimas que se seguem

É assim, engulo o choro
Esboço algo que lembre um sorriso
E traço poesia